Sociedade Bíblica de Portugal

12 – A história de José – NÃO É JUSTO!

ORAÇÃOSenhor, tens sido tão bom para mim. Obrigado pelas muitas for-mas, pelas quais me tens abençoado.

Texto(s) bíblico

José em casa de Potifar

1Entretanto José tinha sido levado para o Egito. Potifar, alto funcionário e chefe da guarda do faraó, tinha-o comprado aos ismaelitas, que o tinham levado para lá. 2Contudo, o Senhor estava com José e fazia com que tudo lhe corresse pelo melhor, enquanto esteve ao serviço daquele egípcio.

3O seu amo começou a dar-se conta de que o Senhor estava com José e que, por isso, tudo o que ele fazia era bem sucedido. 4Potifar estava muito satisfeito com José; pô-lo ao seu serviço pessoal e entregou toda a sua casa e todos os bens ao seu cuidado. 5Desde que José ficou encarregado da casa de Potifar e de todos os seus bens, o Senhor abençoou a casa daquele egípcio, em atenção a José. Em tudo se notava que o Senhor o abençoava, tanto em casa como nos campos. 6Por isso, Potifar deixou tranquilamente tudo o que lhe pertencia aos cuidados de José, de modo que não precisava de se preocupar com nada, a não ser com aquilo que tinha de comer.

José era um homem bem parecido e de boas maneiras. 7Por isso, depois de algum tempo, atraiu os olhares da mulher de Potifar e esta pediu-lhe para dormir com ela. 8José recusou e replicou à mulher do seu amo: «Repare que, comigo aqui, o meu amo nem sequer se preocupa com os assuntos de casa; colocou tudo ao meu cuidado. 9Não há ninguém aqui em casa que esteja acima de mim; está tudo sob o meu poder, exceto a senhora, que é a mulher dele. Como é que eu posso agora fazer uma coisa dessas, cometendo um pecado contra Deus?»

10Todos os dias ela repetia a José o mesmo convite, para deitar-se com ela. 11Certo dia José entrou em casa para fazer o seu trabalho e nenhuma das outras pessoas da casa se encontravam lá. 12Ela agarrou-o pela roupa e disse-lhe: «Dorme comigo!» Mas ele fugiu para fora de casa, deixando-lhe nas mãos a peça de roupa que ela tinha agarrado. 13Quando ela se deu conta que ele tinha deixado uma peça de roupa nas suas mãos e tinha fugido para a rua, 14chamou pelos outros criados da casa e disse-lhes: «Vejam bem! Trouxeram-me cá para casa este hebreu e agora ele faz pouco de nós. Dirigiu-se a mim com intenção de dormir comigo, mas eu gritei bem alto; 15e quando ele me ouviu gritar, deixou junto de mim esta peça de roupa e fugiu a correr para a rua.»

16Ela guardou consigo aquela peça de roupa, até que o amo de José chegasse a casa, 17e contou-lhe desta maneira o que acontecera: «Aquele escravo hebreu que trouxeste cá para casa veio ter comigo para abusar de mim. 18E, como eu gritei com voz forte, deixou ao pé de mim esta peça de roupa e fugiu para a rua.»

19Quando o amo de José ouviu aquilo da boca da mulher, ficou furioso, especialmente quando ela lhe disse: «Foi assim que o teu próprio escravo me tratou!» 20O amo de José mandou-o prender e meter numa prisão, onde costumavam ficar os que eram presos por ordem do rei. Mas mesmo lá na prisão, 21o Senhor estava com José e continuava a manifestar para com ele a sua bondade, fazendo com que ele ganhasse a simpatia do chefe da prisão. 22O chefe da prisão colocou todos os presos sob a vigilância de José e tudo aquilo que lá se fazia era José quem decidia como havia de ser feito. 23O chefe da prisão não precisava de passar revista a nada do que estivesse ao cuidado de José, pois o Senhor estava com José e tudo o que ele fazia era bem sucedido.

José consegue interpretar os sonhos

1Depois destas coisas, aconteceu que o encarregado das bebidas para o rei do Egito e o padeiro cometeram qualquer ofensa contra o seu senhor, o faraó do Egito. 2O faraó ficou muito irritado contra estes dois funcionários, o chefe dos encarregados das bebidas e o chefe dos padeiros, 3e meteu-os na cadeia, na casa do chefe dos guardas, onde estava a prisão e onde também José se encontrava preso. 4O chefe da guarda encarregou José de olhar por eles e de os servir naquilo que precisassem e assim passaram muito tempo naquela cadeia.

5Certa noite o encarregado das bebidas e o padeiro do rei do Egito, presos naquela cadeia, tiveram um sonho cada um e cada sonho com significado diferente. 6Na manhã seguinte, José foi ter com eles e achou-os muito preocupados. 7E perguntou aos eunucos do faraó que com ele estavam na prisão do seu senhor: «Por que é que estão hoje com o ar tão carregado?» 8Eles responderam: «É que cada um de nós teve um sonho e não há ninguém capaz de nos dar a devida interpretação.» Então José disse-lhes: «Só Deus é que pode dar-nos a interpretação dos sonhos! Contem-me lá aquilo com que sonharam!»

9O chefe dos encarregados das bebidas contou então o seu sonho a José. Era o seguinte: «Sonhei que via diante de mim uma videira. 10Essa videira tinha três varas e depois rebentava, floria e nasciam os cachos, que se transformavam em uvas maduras. 11Na minha mão eu tinha o copo do faraó. Então agarrava nas uvas, espremia-as para dentro do copo do faraó e colocava-o nas suas mãos.»

12José respondeu-lhe: «Aqui tens a interpretação desse sonho. As três varas significam três dias. 13Dentro de três dias, o faraó vai fazer com que possas de novo erguer a cabeça e vai colocar-te de novo no posto que ocupavas. Assim poderás colocar nas mãos do faraó o copo em que ele bebe, tal como era de regra antes, quando eras o encarregado das bebidas. 14Peço-te que te lembres de mim quando as coisas te estiverem a correr bem, e faz o favor de lembrar o meu caso ao faraó para que eu possa sair desta prisão. 15Pois vim da terra dos hebreus para aqui, arrastado à força, e aqui não fiz nada de mal para me meterem nesta masmorra.»

16O chefe dos padeiros viu que José tinha dado uma interpretação favorável ao sonho e disse então a José: «Eu também sonhei que tinha três cestos de pão à cabeça. 17No cesto que estava por cima tinha muitas variedades de bolos de pasteleiro para o faraó. Vinham as aves e comiam do cesto que eu tinha à cabeça.»

18José respondeu: «A interpretação desse sonho é esta. Os três cestos significam três dias. 19Dentro de três dias, o faraó vai mandar-te cortar a cabeça e pendurar numa forca, de modo que as aves hão de vir debicar a tua carne.»

20Três dias depois celebravam-se os anos do faraó e ele ofereceu um banquete aos seus funcionários. Diante de todos, tratou especialmente do caso do chefe dos encarregados das bebidas e do chefe dos padeiros. 21Colocou novamente o chefe dos encarregados das bebidas no seu posto de trabalho, de modo que pudesse ser ele de novo a colocar o copo nas mãos do faraó, 22mas mandou pendurar numa forca o chefe dos padeiros, tal como José tinha interpretado. 23No entanto, o chefe dos encarregados de bebidas esqueceu-se de José e não fez nada em favor dele.

José interpreta os sonhos do faraó

1Passaram-se dois anos. Certo dia também o faraó teve um sonho. Sonhou que estava junto ao rio Nilo 2e que do rio subiam sete vacas de belo aspeto e gordas, que se puseram a pastar por entre os juncos. 3Logo atrás delas, outras sete vacas subiam do rio, magras e de mau aspeto e pararam na margem do rio, junto das primeiras vacas. 4E então as vacas magras e de mau aspeto devoraram as sete vacas de belo aspeto e bem nutridas.

Depois disto, o faraó acordou; 5mas voltou a adormecer e teve ainda outro sonho. Sete espigas de trigo bem gradas e belas cresciam num único pé. 6Mas logo a seguir nasceram outras sete espigas vazias e secas por causa do vento leste. 7E estas sete espigas vazias engoliram as sete espigas gradas e belas.

Nisto o faraó acordou e viu que era um sonho. 8Na manhã seguinte, estava muito preocupado e mandou chamar todos os adivinhos e sábios do Egito e contou-lhes os sonhos. Mas ninguém conseguia dar-lhe a interpretação. 9Então o chefe dos encarregados das bebidas falou com o faraó e disse-lhe: «Realmente agora tenho que reconhecer que cometi uma falta. 10Quando o faraó se irritou contra mim e contra o chefe dos padeiros e nos mandou meter na cadeia do chefe da sua guarda, 11certa noite cada um de nós teve um sonho com significado diferente. 12Estava lá connosco um rapaz hebreu que era escravo do chefe da guarda do faraó; contámos-lhe os nossos sonhos e ele explicou-nos o significado do sonho que cada um de nós tinha tido. 13E tudo aconteceu exatamente como ele nos tinha interpretado: o faraó colocou-me de novo no meu posto e ao meu colega enforcou-o.»

14O faraó mandou chamar José e foram a toda a pressa tirá-lo da masmorra. José cortou a barba, vestiu roupas novas e apresentou-se diante do faraó. 15O faraó disse-lhe: «Eu tive um sonho e ninguém o sabe interpretar. Ora, ouvi dizer que quando te contam um sonho, tu és capaz de interpretá-lo.»

16José respondeu: «Isso não depende de mim. Deus é que há de dar a resposta para bem do faraó.» 17Então o faraó contou a José: «Eu sonhei que estava na margem do rio Nilo. 18Nisto vi sete vacas gordas e de belo aspeto que saíam do rio e iam pastar por entre os juncos. 19Logo depois sete outras vacas saíam do rio, magras e de mau aspeto, como eu nunca tinha visto em todo o Egito. 20As vacas magras e de mau aspeto devoraram as sete primeiras vacas, as gordas. 21Mas mesmo depois de as terem comido, ninguém diria que as tinham comido, porque continuavam magras como antes.

Nesse momento, acordei. 22Mas depois voltei a ter outro sonho. Eram sete espigas que cresciam num só pé de trigo gradas e belas. 23Mas logo a seguir rebentaram outras sete espigas vazias e secas por causa do vento leste. 24Então as sete espigas vazias engoliram as sete espigas boas. Contei isto aos adivinhos, mas ninguém foi capaz de dar uma explicação.»

25José disse então ao faraó: «Os dois sonhos do faraó são, na realidade, um só. Foi Deus que quis comunicar ao faraó aquilo que ele vai fazer. 26As sete vacas gordas representam sete anos e as sete espigas boas significam também sete anos. Fazem parte de um único sonho. 27As sete vacas magras e de mau aspeto, que vieram depois, são igualmente sete anos, bem como as sete espigas vazias e secas pelo vento leste. São sete anos de fome que hão de vir. 28É como eu disse a Vossa Majestade. Deus mostrou ao faraó aquilo que vai fazer. 29Hão de vir sete anos de grande fartura em todo o Egito. 30Mas depois virão sete anos de fome. Toda a gente se esquecerá da fartura que havia antes no Egito e a fome levará o país à ruína. 31Tão dura será a fome que há de vir depois que da fartura de antes não ficará nem rasto. 32E quanto ao facto de o sonho ter sido visto por duas vezes, significa que Deus está mesmo decidido a pôr isso em prática, muito em breve.

33Por isso, Vossa Majestade devia procurar um homem inteligente e sábio para o encarregar de dirigir o país. 34Deve igualmente nomear e estabelecer governadores pelo país, a fim de recolherem um quinto da produção do Egito, durante os sete anos de fartura. 35Que eles recolham todo o trigo que sobra durante estes bons anos que estão para vir e o armazenem em cada uma das cidades, às ordens do faraó, para depois alimentar o país. 36Assim haverá alimento em reserva para toda a gente, tendo em conta os sete anos de fome que hão de assolar o Egito. Desta forma, a fome não há de destruir o país.»

José, representante do faraó

37O plano exposto por José agradou ao faraó e aos conselheiros. 38Então o faraó disse aos seus conselheiros: «Seremos porventura capazes de encontrar um homem tão inspirado por Deus como este?» 39Por isso, declarou a José: «Visto que Deus te deu a conhecer todas essas coisas, não há ninguém tão inteligente e sábio como tu. 40Ficas encarregado de dirigir o meu palácio; e todo o meu povo se submeterá às tuas ordens. Só eu serei maior do que tu, porque sou o rei.» 41O faraó continuou ainda: «Portanto, ficas nomeado governador de todo o país do Egito.» 42Ao dizer isto, tirou da sua mão o anel com o selo real e colocou-o na mão de José. Mandou-lhe vestir roupas de linho fino e colocar ao pescoço um colar de ouro. 43Depois convidou-o a subir para o carro destinado ao principal colaborador do faraó e ordenou que à frente dele fosse um arauto a gritar: «Prestem homenagem!» E assim José ficou nomeado governador de todo o Egito.

44O faraó declarou a José: «Eu sou o faraó. Mas sem a tua autorização, ninguém pode fazer seja o que for no Egito.»

45O faraó deu a José o nome de Safnat-Panea e deu-lhe em casamento Assenat, filha de Potifera, sacerdote de Heliópolis. Depois José saiu dali para ir percorrer todo o Egito.

46José tinha trinta e seis anos de idade quando compareceu diante do faraó, rei do Egito. Depois despediu-se do faraó e começou a viajar por todo o Egito. 47Durante os sete anos de fartura a terra produziu colheitas muito abundantes. 48Ele mandou recolher, durante aqueles sete anos, tudo aquilo que sobrava e mandou-o armazenar nas várias cidades, para vir a servir de reserva de alimento. Em cada cidade, armazenava tudo o que sobrava da colheita dos campos da região.

49José conseguiu assim armazenar trigo em tão grande quantidade, como as areias do mar. José teve mesmo de deixar de o medir, porque já ninguém o conseguia medir.

50Antes ainda de terem chegado os anos de fome, a mulher de José, Assenat, filha de Potifera, sacerdote de Heliópolis, deu à luz dois filhos. 51Ao mais velho José deu o nome de Manassés porque, dizia ele, «Deus fez com que eu pudesse esquecer todos os meus sofrimentos e a casa do meu pai52Ao segundo deu o nome de Efraim porque, dizia ele, «Deus fez com que eu tivesse filhos na terra onde vivi oprimido

53Acabaram-se aqueles sete anos de fartura que houve no Egito 54e começaram os sete anos de fome, tal como José tinha anunciado. Em todos os outros países havia fome. Mas no Egito havia comida.

55Quando os habitantes do Egito começaram a sentir fome e foram pedir trigo ao faraó, este respondia a todos: «Vão ter com José e façam o que ele vos mandar

56Quando a fome já se estendia a todo o país, José mandou abrir os armazéns de trigo, para ser distribuído pelos egípcios, porque a fome apertava cada vez mais no Egito. 57De todos os países iam ao Egito para comprar trigo a José, porque a fome era enorme por todo o lado.

REFLEXÃO

Quando conhecemos José pela primeira vez, ele era um adolescente egoísta que irritava a família propositadamente. Embora estivesse a precisar de uma lição, esta foi muito dura: foi vendido como escravo, foi acusado injustamente e atira-do para a prisão. Como poderia isto ser o plano de Deus?

Mas, alguma coisa aconteceu a José pelo caminho. Talvez o trauma de ter sido rejeitado pelos irmãos e de estar preso longe de casa o tenha levado a uma pro-funda reflexão. Ou talvez tenha, simplesmente, percebido que a sua vida estava a ir na direção errada. O quer que tenha sido, ajudou José a amadurecer. Na ver-dade, ele tornou-se um modelo de força moral (39:8-10) e tornou-se sensível às oportunidades de ministério à sua volta (40:6-8).

Como reages quando a vida é injusta? Atacas as pessoas à tua volta? Desistes e entregas-te à depressão? Culpas Deus? José tinha todas as razões para fazer estas e mais coisas. Mas, não o fez e existem, pelo menos, duas razões para tal.

Ele colocou Deus no centro Quando a mulher de Potifar o tenta, José percebe que é a Deus que tem de prestar contas (39:9). Mais tarde, na prisão, dá a Deus o crédito pela sua capacidade de interpretar sonhos (40:8b). José colocou Deus no centro da sua vida e isso deu-lhe uma perspetiva completamente nova, e poder para lidar com os problemas que enfrentou.

Ele confia no plano de Deus À primeira vista, a vida de José parece uma confusão, mas, no fundo, é Deus quem está no controlo (39:2, 21). Os tempos de crise fazem-nos aprofundar o nosso relacionamento com Deus. Não devemos procurar problemas, mas os tempos difíceis, de facto, oferecem-nos algumas das melhores oportunidades para crescermos na fé. Contudo, para agarrarmos essas oportunidades temos de confiar que Deus tem um plano — quando as coisas correm bem, ou mal.

APLICAÇÃO

Que dificuldades experimentas na tua vida, presentemente? Passa algum tempo em oração, ouvindo e pedindo a Deus que te mostre o que ele te quer ensinar e como te podes aproximar dele.

ORAÇÃO

Senhor, detesto quando as coisas correm mal. Mas quero aproximar-me de ti, por isso, ajuda-me a ver o que estás a fazer em tempos difíceis.

Sociedade Bíblica de Portugalv.4.16.15
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