Sociedade Bíblica de Portugal

15 – A história de José – UM SUSSURRO INTRIGANTE

ORAÇÃOAbro o meu coração e as minhas mãos para ti, em adoração. Por favor, aceita o meu louvor e abre os meus olhos para o quer que seja, que eu precise de ver hoje.

Texto(s) bíblico

José dá-se a conhecer aos irmãos

1José já não conseguia conter mais a emoção. Por isso, ordenou a todos os que estavam ali ao seu serviço: «Saiam da minha presença.» E assim não ficou ninguém com ele, na altura em que José se deu a conhecer aos seus irmãos.

2José chorou em voz alta, de tal maneira que os egípcios o puderam ouvir e a notícia chegou ao palácio do faraó.

3José disse então aos seus irmãos: «Eu sou José. O meu pai ainda está vivo?» Mas eles nem conseguiram responder de tão assustados que estavam por estarem na sua presença. 4José insistiu: «Aproximem-se mais, por favor!» Eles aproximaram-se e José continuou: «Eu sou José, o vosso irmão, que vocês venderam para o Egito, 5mas não se aflijam nem tenham remorsos por me terem vendido para aqui, porque foi Deus que me enviou à vossa frente para podermos sobreviver. 6A fome já dura há dois anos no país e durante cinco anos não haverá sementeira nem colheita. 7Deus mandou-me à vossa frente para garantir que a vossa descendência possa ter continuidade e para vos salvar a vida com um prodígio extraordinário. 8Não foram, portanto, vocês que me mandaram para aqui; foi Deus que me enviou e fez de mim como que um pai para o faraó, para dirigir todo o seu palácio e governar o Egito inteiro.

9Vão depressa ter com o meu pai e digam-lhe: O teu filho José manda-te dizer isto: “Deus fez com que eu me tornasse o senhor do Egito inteiro. Vem para junto de mim, sem tardar. 10Ficarás a viver na região de Góchen e assim estarás perto de mim, tu e os teus filhos e netos; as tuas ovelhas e vacas e tudo o que te pertence. 11Lá eu tomarei providências para o teu sustento, de modo que nem tu, nem a tua família, nem nada do que te pertence será prejudicado, mesmo que ainda venham mais cinco anos de fome.” 12Todos, e o meu irmão Benjamim, são testemunhas de que eu próprio vos comuniquei isto. 13Contem ao meu pai o enorme poder que eu tenho no Egito e tudo o resto que puderam ver. Voltem depressa com o meu pai.» 14Depois abraçou-se a Benjamim a chorar e Benjamim chorava igualmente abraçado a José. 15A seguir, José beijou todos os seus irmãos a chorar e só depois é que os irmãos conseguiram falar com ele.

16A notícia de que os irmãos de José tinham chegado correu rapidamente pelo palácio do faraó. E todos, desde o faraó aos seus cortesãos, ficaram muito contentes. 17Então o faraó disse a José: «Diz aos teus irmãos que carreguem os seus animais para regressarem à terra de Canaã 18e trazerem o vosso pai e as vossas famílias para junto de mim. Quero dar-lhes o melhor lugar que existe no Egito, para poderem comer do melhor que esta terra produz. 19Insiste com eles para que levem daqui carros para depois poderem trazer para cá as suas crianças e mulheres e o vosso pai. Que eles venham 20e não tenham pena das coisas que têm que abandonar, porque a melhor terra que há no Egito será para eles.»

21Os filhos de Israel assim fizeram. José entregou-lhes carros, como o faraó tinha ordenado, e deu-lhes provisões para a viagem. 22A cada um deles deu roupas novas. E a Benjamim deu trezentas moedas de prata e cinco mudas de roupa. 23Ao seu pai mandou dez burros carregados com o melhor que se produz no Egito e dez mulas carregadas de trigo, mantimentos e provisões para a sua viagem.

24Quando se despedia dos seus irmãos, na altura em que eles estavam para partir, José disse-lhes: «Não se metam em contendas, durante a viagem.» 25Eles saíram do Egito e foram ter com o pai na terra de Canaã.

26Quando lhe comunicaram que José ainda estava vivo e era ele quem governava o Egito inteiro, Jacob nem reagiu, pois não podia acreditar no que diziam. 27Mas quando eles lhe contaram aquilo que José lhes tinha dito e quando viu os carros que José tinha mandado para ele fazer a viagem, Jacob, seu pai, ganhou nova vida 28e então exclamou: «Basta-me que o meu filho esteja ainda vivo. Quero ir vê-lo antes de morrer!»

Jacob vai para o Egito

1Jacob pôs-se a caminho do Egito, com tudo o que era seu. Chegou a Bercheba e ofereceu sacrifícios ao Deus de Isaac, seu pai. 2Deus apareceu-lhe durante a noite e chamou por ele: «Jacob! Jacob!» Ele respondeu: «Estou aqui!» 3Deus acrescentou: «Eu sou o Deus do teu pai. Não tenhas medo em ir para o Egito, que eu ainda hei de fazer de ti um grande povo. 4Eu vou contigo para o Egito! Eu próprio te farei sair de lá e José é que há de fechar-te os olhos, quando morreres.»

5Jacob saiu de Bercheba e os seus filhos levaram-no, com as crianças e as mulheres, nos carros que o faraó tinha mandado para o transporte. 6Jacob e todos os seus descendentes levaram todos os gados e tudo o que tinham adquirido em Canaã e foram para o Egito. 7Iam com ele os seus filhos, os seus netos, as suas filhas e netas, numa palavra, os seus descendentes.

REFLEXÃO

Citizen Kane (O mundo a seus pés) é um clássico realizado por Orson Wells e conta a história de um homem rico e poderoso chamado Charles Foster Kane, que conseguiu alcançar tudo na vida, exceto a felicidade. O filme começa com um sussurro intrigante, “Rosebud!”, cujo significado é a questão central ao longo do filme. Em criança, Kane é rejeitado pelo pai e mandado para longe, para ser educado por um tutor, num ambiente de riqueza, mas, sem amor. Ao separar-se do pai, separa-se também do seu brinquedo preferido – um trenó. Na cena final, percebemos que ‘Rosebud’ era a palavra gravada no trenó, o símbolo do relacionamento interrompido com o pai, um facto que o atormentou por toda a vida.

Nesta passagem, José revela não só a sua identidade, mas, o mais importante, o sussurro que o tem mantido a motivado todos estes anos. “O meu pai ainda está vivo?” (45:3). Era este o “Rosebud” de José. Podemos pensar que um relacionamento interrompido, especialmente, com alguém de quem estivemos próximos, não tem assim tanta importância. Mas, de facto, pode ter um efeito bastante maior do que pensamos, se não deixarmos que Deus trabalhe em nós para o resolver.

Mas, não esqueçamos os irmãos de José. Como é que ele se reconciliou, final-mente, com aqueles patifes? Vimos José entristecido e vimo-lo a orar. Agora vemo-lo perdoar os seus irmãos cruéis (45:14-15). O verdadeiro perdão é o último passo para a cura das feridas do passado. Leva tempo e temos de estar abertos à transformação de Deus mas, o ato de perdoar capacita-nos, de uma forma maravilhosa, para amar outra vez. Além disso, também, abre os nossos olhos para a abrangência daquilo que Deus está a fazer na nossa vida. Como José disse: “Não foram, portanto, vocês que me mandaram para aqui; foi Deus…” (45:8).

Queres receber cura para as mágoas do teu passado? Gostavas de ter a capacidade de amar outra vez? Será que desejas uma compreensão mais clara da vontade de Deus? Então, compromete-te, tanto quanto possível, a resolver qualquer relacionamento que tenha sido quebrado na tua vida. É uma verdadeira alegria, quando o sussurro intrigante é substituído por uma canção de louvor.

APLICAÇÃO

Há um “sussurro intrigante” na tua mente e no teu coração hoje? Que passos podes dar para resolver esses assuntos subjacentes? Como vais procurar a ajuda de Deus?

ORAÇÃO

Senhor Jesus, tu compreendes melhor do que ninguém como me sinto. Obrigado por teres suportado a cruz para que eu fosse perdoado.

Sociedade Bíblica de Portugalv.4.16.16
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