Sociedade Bíblica de Portugal

Será que a Bíblia celebra as mães?

Quanto amava Maria Jesus?

Ainda me lembro de, no ano passado, uns dias antes do Dia da Mãe tomar consciência de que me tinha esquecido completamente de escrever um postal ou comprar um presente para a minha mãe. E comecei logo a pensar como conseguiria enviar-lhe alguma coisa para a América numa questão de dias.

A verdade é que eu me tinha esquecido de que, na Inglaterra, para onde me tinha mudado recentemente, o Dia da Mãe é em Março, mas, na América, de onde venho, é em Maio. Imaginem o meu alívio!

Na Grã-Bretanha, o Dia da Mãe cai no quarto domingo da Quaresma e começou como uma tradição eclesial, em que os cristãos viajavam para as suas cidades natais para visitar as suas igrejas “mães” e as suas mães. Na América, foi o presidente Woodrow Wilson quem, em 1914, declarou que o segundo domingo de Maio seria um feriado oficial nos EUA, dedicado à expressão do amor pelas mães.

É justo que tão perto do Dia da Mãe eu me sentisse, provavelmente, como as mães se sentem sempre: com aquela expectativa de estarem sempre alerta e terem de se lembrar de tudo e, o mais surpreendente, é que geralmente elas conseguem.

O exemplo de Maria

Embora não se encontrem muitos versículos na Bíblia a saudar a maternidade diretamente (há antes, o mandamento de honrar os pais e as mães), é fácil de ver através das histórias bíblicas sobre mães, o amor que Deus tem por elas. Lembro-me de umas linhas marcantes que alguém escreveu sobre a mãe de Jesus para um site cristão no ano passado:

“Coloco-me no lugar de Maria e pergunto-me se a primeira vez que ela olhou nos olhos de Jesus, alguma vez pensou que, 30 anos depois, estaria aos pés da cruz na sua crucificação. A história da encarnação é uma história sobre corpos. É intensamente física: brutal, confusa, sangrenta. O mesmo acontece com a jornada humana desde o nascimento até à morte – e o mesmo acontece com a realidade de ser mulher.”

Pense na confusão da jornada humana a que este autor se refere. Pense no que custou a Maria amar Jesus. Pense nas noites perdidas e nas horas de oração. Pense nas refeições preparadas, nas viagens às festas judaicas, e quando perdeu Jesus na confusão e depois o reencontrou. Pense nos cumprimentos ao entrar ou sair de casa, nas alcunhas, nas piadas que só eles percebiam, nas rotinas diárias. Pense em tudo o que ela fez para criar e manter uma vida para Jesus, no cuidado que ela dedicou ao coração, à mente, alma e ao corpo totalmente humano do seu filho. E, depois, pense naquele corpo quase irreconhecível para ela, pendurado numa cruz. Ela poderia ter-se afastado naquele dia, mas ficou.

Poderíamos culpá-la se ela se fosse embora? Certamente que não. Quando Agar e Ismael foram exilados por Abraão para o deserto, “Agar deixou o menino debaixo dum arbusto e foi sentar-se a uma certa distância, porque não queria ver morrer o filho.” (Génesis 21:16, BPT). Maria poderia ter feito o mesmo e nós entenderíamos. Ela até ouviu Jesus dizer aos seus seguidores: “«Quem é a minha mãe? Quem são os meus irmãos?... Aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe.»” (Mateus 12: 48–50, BPT). Quão facilmente teria sido para Maria entender mal, ficar magoada ou ofendida por estas palavras? Mas ela permaneceu.

Outras mães incríveis nas Escrituras

A Bíblia não apresenta as mães como fracas ou passivas. Elas são ativas, para além da experiência de terem filhos. As mães nas Escrituras são catalisadoras cujos sacrifícios são essenciais para o progresso da narrativa bíblica, e são frequentemente honradas por Deus.

Agar, abusada e descartada, é quem nos dá a poderosa revelação: “«Tu és o Deus que me vê!»” (Génesis 16:13, BPT). Jocbed, que arrisca a vida a esconder Moisés do Faraó durante três meses antes de o entregar corajosamente aos cuidados de outra mulher, é anunciada em Hebreus 11 pela sua fé (Hebreus 11:23). A mulher sirofenícia, que arrisca a humilhação pública na esperança de que Jesus possa curar a sua filha, é a única pessoa nos Evangelhos a ser honrada intelectualmente por ele: “«Dizes muito bem! Podes voltar para casa porque o espírito mau já saiu da tua filha.»” (Marcos 7:29, BPT). E com algumas das suas últimas palavras, Jesus constitui uma nova família para Maria, dizendo-lhe a ela, e ao discípulo que amava: “«Mulher, aí tens o teu filho.» ... «Aí tens a tua mãe.»” (João 19:26–27, BPT).

As mães, dentro e fora da Bíblia, são exemplos diários de um amor semelhante ao de Cristo. Muitas vezes, a atitude delas é a de Jesus (Filipenses 2:5). O mesmo amor que vemos nelas podemos ter pelo Senhor e, por extensão, pelo seu povo. Um amor que se sobrepõe à tendência para nos preservarmos, à nossa consciência pessoal e ao nosso sentido de valor, para estar com ele.

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Noël Amos, é o editor de Rooted, o diário devocional da Sociedade Bíblica Britânica

Sociedade Bíblica de Portugalv.4.20.14
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